Registro de movimentos subjetivos que, por necessidade, devem tornar-se materiais. Porem sua materialidade parece vincular-se ao suporte. Portanto não só basta a execução. Transforma-se, juntamente ao artista e a seus movimento, o material e a técnica do desenho. Cria-se uma nova materialidade à matéria, tanto a orgânica como a inorgânica, tanto a bruta como a polida.
O desenho, como matéria, deixa de ser só pensamento, torna-se ato, renovação, para ser sentido de forma ampla.
O desenho, segundo G.M. Furth, nos traz uma beleza que toca e uma verdade que incomoda.
A verdade, exposta no desenho, incomoda, instiga porque refere-se à humanidade de forma primordial. Uma imagem não encerra significações, amplia-as, assim como sua matriz inconsciente.
Este é o segredo da ação da arte. O processo criativo consiste (até onde nos é dado segui-lo) numa ativação inconsciente do arquétipo e uma elaboração e formalização na obra acabada. De certo modo a formação da imagem primordial é uma transcrição para a linguagem do presente pelo artista, dando novamente a cada uma a possibilidade de encontrar o acesso às fontes mais profundas da vida que, de certo modo, lhe seria negado. È ai que esta o significado social da obra de arte: ela trabalha continuamente na educação do espírito da época, pois traz a tona aquelas formas das quais a época mais necessita. Partindo da insatisfação do presente a ânsia do artista recua até encontrar no inconsciente aquela imagem primordial adequada para compensar de modo mais efetivo a carência e unilateralidade do espírito da época. Essa ânsia se apossa daquela imagem e, enquanto a extrai da camada mais profunda do inconsciente, fazendo com que se aproxime do consciente, ela modifica sua forma até que esta possa ser compreendida por seus contemporâneos. (JUNG, 1971, p.130)
O inconsciente, vasto e profundo, é a essência da criação, que deve se tornar materializada, ou consciente, sob a técnica do artista. O mito, o espectro do inconsciente, no artista, liberta-o da situação individuo e faz-se ressoar a toda humanidade.
O auto conhecimento está interiorizado no mito, devemos atentar aos aspectos sutis, e aprofundar-nos em seus símbolos para procura da plena compreensão. Se vivemos em um corpo, em um mundo, devemos perceber suas integrações, devemos perceber a própria interioridade.
Meu trabalho anterior explorava a morte e a vida, a geração cotidiana de si mesmo, e a morte equilibrando-a. Mas, para que ocorra o renascimento cotidiano, precisa-se de fecundidade.
Invisto-me, agora, à fecundidade. Descubro a criação, investindo mente e corpo para sua materialidade.